Comissão visa aprimorar a Plataforma Lattes

Às vésperas de completar 20 anos de criação, a Plataforma Lattes já está consolidada como o principal banco de currículos do Brasil, com mais de 6 milhões de registros curriculares, sendo indicada como umas das mais importantes iniciativas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dada a sua importância e amplitude, a necessidade de aprimoramento e modernização torna-se necessária. Na busca de atingir esse objetivo, o CNPq começou um trabalho de fortalecimento e reformulação da Comissão de Gestão do Lattes (COMLATTES), anunciado na última reunião do grupo, em setembro.

Criada em 2005 para avaliar, reformular e aprimorar a Plataforma Lattes, a atuação da COMLATTES estava focada mais na correção de desvios do que na concepção de aprimoramentos. Assim, a reformulação anunciada visa à melhor gestão da plataforma com base na Resolução Normativa 025/2018, criando uma nova estrutura, com dois comitês: Gestor e Técnico.

Nessa configuração, está a prevista a participação de membros externos, da comunidade de usuários e parceiros do CNPq, principais demandantes de acesso à Plataforma, tais como Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), universidades e comunidade acadêmica. Com a reestruturação da COMLATTES, foram nomeados em portaria publicada em agosto representantes das seguintes instituições: Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FOPROP) e Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

A dimensão atual da Plataforma Lattes se estende não só às ações de planejamento, gestão e operacionalização do fomento do CNPq, mas também de outras agências de fomento federais e estaduais, das fundações estaduais de apoio à ciência e tecnologia, das instituições de ensino superior e dos institutos de pesquisa. Além disso, se tornou estratégica não só para as atividades de planejamento e gestão, mas também para a formulação das políticas do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e de outros órgãos governamentais da área de ciência, tecnologia e inovação.

Para o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Roberto Pacheco, que coordenou o Grupo Stela, grupo acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UFSC que propôs e desenvolveu para o CNPq a Plataforma Lattes, a mudança de perfil e missão da COMLATTES tem plena sintonia com as melhores práticas de governo eletrônico contemporâneo. “Na gama de ações que espero ver promovidas pela COMLATTES estão a criação e promoção de grupos de padronização Lattes multi-institucionais, a criação de mecanismos de governança e manutenção de serviços de interoperabilidade e de integração com outras plataformas, a definição de diretrizes e tomada de decisão em internacionalização de serviços da Plataforma, a definição e viabilização de plano de governança e sustentabilidade da plataforma, bem como a gestão de um plano de comunicação claro e permanente junto à comunidade científica do País” apontou, Pacheco.

O professor lembra que esse reposicionamento estratégico de uma instância como a COMLATTES complementa importantes ações já realizadas tais como as ações de integração entre as Plataformas Lattes e Coleta (CAPES), em 2000, e as diversas ações de cooperação que o CNPq efetivou para integrar o Lattes com patentes e registros (INPI), teses e dissertações (IES específicas e BDTD), artigos em textos completos (SciELO), entre outras.

Nomeado como membro titular externo pelo CNPq, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e presidente da Sociedade Brasileira da Computação (SBC), Lisandro Zambenedetti, acredita que a nova fase da COMLATTES abre novas oportunidades para inovações ainda mais representativas nesta importante plataforma materializada pelo currículo Lattes aos pesquisadores brasileiros. “Existem importantes iniciativas de integração de dados que gerarão conhecimento sobre a atuação científica dos pesquisadores, o que permitirá pautar, de forma mais concreta, novos editais, políticas e, em grande escala, os rumos da ciência no Brasil”, finaliza.

A presidente do CONFAP, instituição com representante na comissão, Maria Zaira Turchi, ressalta o posicionamento estratégico da iniciativa à frente das transformações tecnológicas e evolução da ciência Brasileira e aponta que as mudanças colocam a gestão da Plataforma Lattes “rumo às novas práticas de um sistema científico e de inovação global”.

O CNPq busca com a reestruturação enfatizar a atuação de forma colaborativa, em linha com ações de integração de dados que têm sido desenvolvidas em conjunto com agências e instituições parceiras federais e estaduais.

Fonte: CNPq

http://www.cnpq.br/web/guest/noticiasviews/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/6509664